quinta-feira, fevereiro 23, 2006

REUNIÃO DE MORADORES LOGO

21horas, na Junta de Freguesia de Santo Condestável


Escreveu-nos o Arquitecto José Manuel Fernandes


Exmos. Srs:

A anunciada destruição do antigo cinema Europa é uma opção grave, que á partida anula um dos valores patrimoniais em presença: um espaço de arquitectura e design qualificados, dos anos 1960, que se se quizesse poderia ser recuperado.

Assim sendo, e dada a desconfiança que me merecem as personalidades municipais envolvidas no tema, no que respeita a decisões sobre património arquitectónico (vide Garrett, Mayer-Capitólio, Paris, etc), sugiro:

Uma tomada de posição pública urgente, da vossa organização, afirmando que só com a avaliação, cuidada e atenta, do projecto de arquitectura concreto para o espaço em causa, com apoio num grupo de especialistas da área, convidados para o efeito, poderão concordar com a destruição do actual edifício - ou não, se a qualidade do futuro projecto e o seu programa de espaços for inferior ou inadequado.

atentamente, José Manuel Fernandes Arquitecto

Professor Agregado em História da Arquitectura e do Urbanismo da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa



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JUNTE-SE AO PROTESTO!

2 comentários:

Carlos A. F. de Moura disse...

caros Srs.
Ao ler a notícia do Público, dizendo que a vossa organização se prepara para deixar cair a defesa do Cinema Europa, em face da proposta da CML para um "espaço cultural" no novo edifício a construir, devo dizer-vos que:
1- O Cinema Europa não é, como vocês bem sabem, apenas uma questão da fachada do edifício e da espantosa obra de baixo relavo que nele se encontra inscrita. É também toda a arquitectura e arranjos de interiores que ~têm sido pelas nossas autoridades autárquicas convenientemente esquecida.
2- Além de espaço de memória é um espaço de cultura que serve (ou servia) uma área de abrangência muito superior ao próprio bairro, lembremo-nos que os bairros adjacentes não possuem qualquer equipamento cultural. Não é um mini auditório de 300 lugares que dará a Campo de Ourique um equipamento cultural de proximidade.
3- A construção de um condomínio naquele local alterará de uma forma irreversível a morfologia do bairro, além dos inconvenientes causados com o aumento de tráfego num bairro que a este nível há anos que se encontra em situação crítica. Qualquer um que conheça o bairro sabe que um condomínio debitando automóveis nas Ruas Francisco Metrass e Almeida e Sousa é um despautério completo. Qualquer proposta nesse sentido teria de ser antecedida de um estudo de tráfego.
4- O decréscimo de qualidade de vida que advém do aumento de poluição do ar e da diminuição da mobilidade dentro do Bairro, obtidos por via do acréscimo de automóveis será dramático para a população aí residente.
5- Espanta-me como uma Junta de Freguesia não assuma uma posiução de maior intervenção face a estes acontecimentos devastadores para Santo Condestável, para Campo de Ourique e para a cidade de lisboa.

Enquanto cidadão que viveu 28, dos seus 37 anos em Santo Condestável, que conheceu o Cinema Europa, não apenas de fachada, e que hoje reside numa das freguesias vizinhas. Enquanto dirigente regional de uma ONG da área do Ambiente e enquanto profissional também na área do ambiente urbano, não poderia deixar de me revoltar e tomar posição perante uma luta, que acreditava poder manter-se pela vontade dos moradores do bairro e que não necessitaria de outros intervenientes, e que aparenda claudicar agora.

Para que este movimento encontre novas forças e renove as suas razões, apresento a minha disponibilidade para reunir convosco em data a combinar.

Com os meus melhores cumprimentos

Eng.º Carlos Moura (Presidente do Núcleo de Lisboa da Quercus)
quercus.lisboa@sapo.pt
crln532@netscape.net
91 790 09 35

Anónimo disse...

http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=192930&idselect=10&idCanal=10&p=94